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Será que minha criança autista vai ler?
Essa é uma pergunta que muitos pais fazem. Depois do diagnóstico, surgem dúvidas sobre o futuro, sobre a escola, sobre a autonomia e, principalmente, sobre aquilo que a criança será capaz de aprender.
A aflição é compreensível. E ela muitas vezes se torna ainda maior porque, ao longo desse caminho, algumas famílias já ouviram frases que dificilmente esquecem: “ele não vai aprender”, “ela não vai ser alfabetizada”. Quando isso acontece, a família passa a olhar para a alfabetização já esperando uma resposta negativa.
É justamente nesse ponto que precisamos falar sobre presumir competência.
Presumir competência significa partir do princípio de que a criança é capaz de aprender, antes de concluir que não é. Não significa acreditar que todas as crianças terão o mesmo percurso ou que todas aprenderão no mesmo ritmo. Significa não estabelecer um limite para a aprendizagem antes de conhecer verdadeiramente aquela criança.
O diagnóstico de autismo não nos permite afirmar que uma criança não será alfabetizada. O TEA envolve uma grande diversidade de perfis, e as habilidades relacionadas à leitura e à escrita também variam muito entre as crianças. Há crianças autistas que aprendem a ler com relativa facilidade, outras que precisam de um ensino mais estruturado e outras que apresentam dificuldades importantes em determinadas habilidades que sustentam a alfabetização.
No processo de alfabetização, a nossa responsabilidade é oferecer condições para que a criança possa avançar: conhecer suas habilidades, identificar suas dificuldades e garantir um ensino que responda às suas necessidades. Não sabemos, no início do percurso, exatamente como será sua trajetória, mas podemos escolher não antecipar um fracasso.
Para uma família que tantas vezes ouviu o que seu filho supostamente não seria capaz de fazer, presumir competência é também abrir espaço para outras possibilidades. Antes de definir os limites de uma criança, precisamos dar a ela a oportunidade de nos mostrar suas capacidades.
1 resposta(s)
Meu filho sabe muitas palavras, tanto em português quanto em inglês, mas ainda tem dificuldade em compreender o significado delas. Tenho esperança de que, com o tempo e o desenvolvimento dele, consiga avançar cada vez mais e conquistar o máximo de autonomia possível.